Foi no ano passado, estava na oitava edição da Campus Party, cobrindo o evento para a Locaweb. A fila era grande, mas valia a pena encarar.

Enquanto minha vez não chegava, prestei atenção em como as pessoas se sentiam diante da tal realidade virtual. Quando tiravam os óculos, muitos ficavam tontos; outros espantados e ao mesmo tempo fascinados. E eu lá, sem saber o que realmente estava acontecendo, com uma cara de “God, que diabos estou fazendo aqui? O que vai rolar comigo? x.x

No início de 2015 a virtual reality já era um dos assuntos mais falados no mundo tecnológico. Como precisava escrever sobre, pesquisei muito sobre o tema, dei uma boa lida em artigos nacionais e internacionais; assisti a alguns vídeos, mas ainda assim tudo me parecia distante. Tinha a sensação de estar diante uma obra de sci-fic – um de meus gêneros favoritos.

Não conseguia assimilar o fato de meu corpo e minha mente poderem viajar para outro universo, viajarem para Marte, por exemplo, enquanto eu estivesse “de boas”, sentadinha no sofá da sala.

Ótimo, havia chegado minha vez.

Os óculos eram pesados, vesti e logo fiquei tonta. Eu estava em pé fisicamente mas, virtualmente, me via sentada em um vagão de montanha-russa. O engraçado é que mesmo sabendo que aquilo tudo não passava de uma simulação, meu corpo se comportou como se eu estivesse vivendo aquilo de fato. Meus batimentos aumentaram quando o carrinho começou a subir e o estômago revirou na descida. #VERTIGEM.

Estava dentro de um paradigma e não sabia como lidar com isso. Até que por fim, me veio um estalo: C4R4L#*! Eu não acompanharia mais uma obra de ficção científica, eu estaria dentro dela, vivendo e experimentando tudo aquilo. Meu corpo sentiria o estresse, a adrenalina de fugir dos zumbis do The Walking Dead, por exemplo, de uma viagem espacial, de um ataque robótico. \o/

E não só isso, fiquei pensando em como a realidade virtual poderia ser aplicada na educação, nos games, no cinema… seria o máximo! Só que mesmo trabalhando como social media e estudando as redes sociais, nunca passou por minha cabeça que essa funcionalidade tecnológica pudesse chegar às mídias digitais. Ledo engano.

Mark-Zukeberg

No Mobile World Congress, evento voltado para a indústria móvel, Mark Zuckerberg disse que “a realidade virtual vai ser a plataforma mais social de todas”. Agora, o dono do Facebook, Instagram e WhatsApp também vai investir nessa tecnologia e até lançou uma parceria com a Samsung para trabalhar em uma VR mais rápida, que consuma quatro vezes menos banda. Espertinho ele, hein?

Se no princípio era o texto, depois surgiu a imagem, o vídeo e agora a experiência, como conseguiremos lidar com a virtual reality dentro de plataformas como o Face? Quem descobrir como trabalhar bem e ter foco diante disso, com certeza vai levar um Nobel.

Parodiando Shakespeare: Trabalhar ou viajar, eis a questão. Sim, porque a Samsung já criou um gadget capaz de levar o sol, a sombra e a água fresca para dentro do escritório em apenas UM SEGUNDO. Ah, com ele você também consegue surfar com Gabriel Medina e descobre como é vestir o traje de Tony Stark e ser o Homem de Ferro.

Além disso, estudantes construíram uma réplica digital de como era Londres no Século 16. Ao usar os óculos de realidade aumentada é possível assistir à uma peça de Shakespeare e descobrir como o público reagia antes de ele se tornar famoso.  

Mas isso é só um pouquinho do que ainda está por vir. Em um futuro próximo não precisaremos pegar um trânsito daqueles para ir ao shopping ou enfrentar a fila do provador. As compras online serão diferentes, os consumidores poderão realizar um tour virtual pela loja a partir da realidade virtual e compartilhar esse momento com os amigos. A varejista ASOS já firmou uma parceria com a Trillenium para criar experiências diferenciadas para clientes na faixa dos 20 anos.

E, quando você quiser comprar seu apartamento conseguirá ter mais certeza do que quer. A Tistus, empresa brasileira voltada a imersão digital, está revolucionando o mercado de imóveis, ela utiliza a VR para que os clientes visitem virtualmente o apartamento decorado. Ao ter essa experiência ele consegue visualizar desde o chão ao teto do ambiente.

O Oculus Rift foi utilizado no sistema judiciário para recriar cenas de crimes. O Instituto de Medicina Forense de Zurique utilizou dados de um tiroteio real para mostrar a trajetória das balas, ficando mais fácil de entender a direção e proximidade do tiro com relação à vítima.

É, precisamos nos preparar para um novo olhar. Para encontrarmos zumbis, encararmos uma praia em pleno inverno, neve no verão, sermos atacados por alienígenas e, também, para capturarmos Pokémons pelas ruas, olha que lindo, gente! :O

E enquanto isso, é melhor que o meu e, talvez o seu corpo, já comece a se adaptar com as vertigens e com o peso das lentes, porque sim, isso acontece.

Preparado para uma nova era social? O que você acha de discutirmos sobre isso enquanto tomamos um café – na vida real – e viajamos para Marte? Let’s go! ;)