Por que muitas pessoas tiram e postam selfies?

em Curiosidades.

Quinze dias de férias, cinco dias em Buenos Aires. Organizei as malas com calma; coloquei os documentos na mochila, assim como o carregador portátil para o smartphone e, minha câmera profissional. Tudo pronto – pensei.

Chegando ao destino, peguei meu celular e comecei a fotografar, mas nem tudo saiu como imaginava. Uma mensagem de “Memória Insuficiente” teimava em piscar na tela. Acessei minha pasta de imagens e, para minha surpresa, haviam muitas, mas muitas selfies. Elas eram praticamente todas iguais e estavam ocupando muito espaço no cartão de memória.

Depois de perceber que não era a única pessoa tirando autorretratos nos pontos turísticos, me questionei: – Por que, afinal, tiramos e publicamos tantas selfies? Foi aí que surgiu o estalo: isso rende um artigo para o blog da Locaweb.

>> De Van Gogh a Kim Kardashian

A selfie não é tão novinha quanto se imagina. O termo foi publicado pela primeira vez em um fórum virtual australiano e, pasme, em 2002 – quando ainda jogávamos Snake em nossos celulares. Em 2004 a palavra começou a se popularizar, mas só ganhou o público mesmo em 2012, ao ponto de ser eleita a palavra internacional do ano de 2013 pelo Oxford English Dictionary. É, ela é #pop.

Mas mesmo antes de conhecermos as selfies, os autorretratos já faziam sucesso. O fotógrafo Robert Cornelius tirou uma foto de si mesmo em 1839. Vincent Van Gogh pintou seu retrato com a orelha enfaixada em 1889. Ou seja, não é só agora, com a facilidade dos smartphones, que fazemos isso. O ato de “tirar selfies” já existia, só foi intensificado.

Barack Obama, Papa Francisco, astronauta, personagens do GTA e Darth Vader se renderam a esse estilo de fotografia em 2013. Com destaque para ela, Kim Kardashian –

que publicou um livro só sobre selfies, o Selfish. Isso sem falar na selfie mais famosa de todas: a dos astros do cinema no Oscar de 2014. Mas por que tanta gente aderiu às selfies?

astros

 

>> Narcisismo digital ou apenas liberdade de expressão?

Para Keith Campbell, professor de psicologia da Universidade de Geórgia, amamos selfies porque elas nos permitem nos expressarmos com criatividade, como Van Gogh e Frida Kahlo faziam com seus autorretratos. Já na percepção do escritor Andrew Keen, autor do livro O Culto do Amador, selfies nada mais são do que “um ato de extremo narcisismo”.

Acredito que ambas vertentes tenham a ver com o que publicamos nas redes sociais, principalmente no Instagram. Sempre temos alguma intenção quando postamos algo; queremos chamar a atenção de alguma forma, nos expressarmos. Por isso não concordo com o termo “narcisismo extremo”, ressaltado por Keen, apenas com a palavra “narcisismo”.

Afinal, quando vamos tirar uma selfie, nos posicionamos da melhor forma possível. Mudamos o ângulo, arrumamos os cabelos, procuramos uma boa luz… Tudo para que apareçamos bonitos e interessantes, ou para compartilharmos nossa alegria, já que segundo H. David Thoreau: “A felicidade só é real quando compartilhada.”.

Querendo ou não, o número de likes pode trazer felicidade para algumas pessoas e massagear o ego das mesmas. E, convenhamos, dependendo da situação, até que é bom.

Em entrevista à Revista Galileu, José van Dijck, especialista em estudos de mídia, na Universidade de Amsterdã, levantou um questionamento pertinente: nós gostamos mesmo de nos exibir e selfies são apenas o resultado disso ou foram as redes sociais despertaram nosso lado exibicionista?

A questão é que os autorretratos publicados na web nos ajudam controlar melhor a forma como os outros nos veem e isso pode ser visto de uma forma positiva: na melhora da autoconfiança e na autoestima – e isso quem apontou foi uma pesquisa realizada pela Indiana University Bloomington.

Sim, mesmo que critiquemos as selfies, elas têm muitos pontos positivos. Tirar selfies é benéfico por ser algo intrínseco à nossa cultura e, uma forma de interagirmos com os demais. Mas é preciso ter bom senso. Em 2015 as selfies “mataram” mais pessoas do que os tubarões, e um terço dessas mortes tinha a ver com quedas.

Se tudo tem um lado positivo e outro negativo, com os autorretratos não seria diferente.

Não podemos concluir se as selfies são benéficas de fato ou se elas só contribuem para o narcisismo digital. Mas uma coisa é fato: muitas pessoas passaram a criar mais, a investir na fotografia, em arte, a respeitar a si mesmo e a divulgar seu trabalho por causa delas.

Gostemos ou não, elas continuarão existindo e sendo visualizadas. Quem sabe até eu e você daremos likes em algumas delas. Mas, por favor, se for viajar e quiser tirar suas selfies, não se esqueça de limpar o cartão de memória ou de subir suas fotos para a nuvem antes.

#ficaadica. ;)

darth-2

 

Você também pode gostar