Precisamos falar sobre “Black Mirror”

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Um espelho. Uma tela preta capaz de refletir nossa fisionomia, nosso caráter, nossas atitudes – e, em alguns casos, até pensamentos e os desejos mais íntimos. Você pode usá-la de diversas formas e ela continuará ali, analisando-o sem que perceba, sem que passe por sua cabeça que a câmera frontal, que usa tanto para tirar selfies e é aparentemente inofensiva, possa gravar seus passos e saber muito mais sobre você, do que você mesmo. Black Mirror. E é isso.

Não foi inspirada em 1984, de George Orwell. Também não foi inspirada em Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley – mas tem muito dos dois mundos distópicos e chega até a ser pior do que eles. A série, criada pelo produtor e roteirista Charlie Brooker, choca ao nos colocar de frente não apenas com a tecnologia, mas com nosso lado mais sombrio (e humano). É impossível não pensar depois de assistir a pelo menos um episódio. Black Mirror provoca, incomoda, proporciona uma espécie de “overthinking” e você sai com uma sensação de “caramba, isso é sério? Espera só um pouquinho, vou ali excluir todas as minhas redes sociais e já volto”.

Lançada em 2011, no canal britânico Channel 4, a primeira temporada contou apenas com três episódios com histórias e atores diferentes: Hino nacional; Quinze milhões de méritos e Toda a sua história. No ano seguinte, Black Mirror conquistou um Emmy Internacional, mas a segunda temporada só estreou em 2013, com mais três episódios: Volto Já; Urso Branco, Momento Waldo e o especial de Natal com Jon Hamm.

Quando foi inserida no catálogo da Netflix, em 2014, fez o maior sucesso nos Estados Unidos. Por causa disso, a empresa, que não é boba nem nada, comprou os direitos da terceira temporada por 40 milhões de dólares e nos presenteou neste ano com mais seis episódios – óbvio que a internet foi à loucura, afinal, “nada mais Black Mirror” do que a Netflix produzir mais episódios, disponibilizá-los online – e para donwload – em outubro.

Em entrevista para o El País Charlie Brooker revelou de onde surgiu a vontade de criar a série. Quando tinha 13 anos, o diretor assistiu a um curta espanhol chamado La Cabina, em que um homem fica preso em uma cabine telefônica. Ele conta que aquilo o impressionou muito e o deixou com medo. Ele não conseguia acreditar que pudesse estar vendo algo tão doentio e queria reproduzir as sensações que teve e transportou-as para Black Mirror.

Questionado sobre o processo que utiliza para escrever, Brooker diz que o que acontece no dia a dia o afeta de alguma forma, mas que isso não é sua referência principal. Primeiramente ele pensa em algo que o deixe com medo e em situações inquietantes. Se tomar telejornais como inspiração os episódios podem não gerar o mesmo impacto no público.

“Se a tecnologia é uma droga, Black Mirror conta sobre seus efeitos colaterais” – explica o produtor. E, ao tentar entender porque a série é tão “assustadora” basta olharmos para nós mesmos e analisarmos nosso cotidiano. Todos os episódios nos lembram a vida real: programas de televisão que dão “grandes oportunidades”, dinheiro gasto com games e produtos para avatares, personagens que se destacam mais do que pessoas, número de likes que você recebe nas fotos que publica e no conteúdo que compartilha nas redes sociais. A China quer fazer algo parecido e criar uma espécie de ranking que medirá o quanto um cidadão é confiável tendo como base as mídias digitais.

Fora as lentes que, acopladas aos seus olhos são capazes de gravar tudo o que você vê. Essa última pareceu um tanto utópica? Acredite, não é. A Samsung já está investindo em lentes de contato de realidade virtual.

Ah, por falar em likes, a Netflix lançou um site inspirado em Nosedive, primeiro episódio da terceira temporada, em que é possível avaliar seus amigos e ser avaliado. E aí, você tem coragem? Clique aqui. Muito Black Mirror, não é?

Lista de filmes e livros que são tão Black Mirror quanto Black Mirror:

Se você, assim como nós, gostou da série e já terminou todos os episódios, aqui vai uma lista com livros e filmes que têm a mesma vibe. Mas calma, não vai excluir todos os seus perfis nas redes sociais, hein?

6 Livros:

1984 – George Orwell

Admirável Mundo Novo – Aldous Huxley

A Máquina do Tempo – H.G. Wells

A Revolução dos Bichos – George Orwell

Laranja Mecânica – Anthony Burgess

O Círculo – Dave Eggers

 

6 Filmes:

Brilho eterno de uma mente sem lembranças

Ex Machina

Her

Looper: Assassinos do Futuro

O Preço do Amanhã

The Lobster

E então, você já assistiu a Black Mirror? Se sim, qual foi o episódio que mais lhe chocou? Comente! :)