Simplicidade

em Geral.

Foi lançado em agosto de 2006 um livro chamado “The Laws of Simplicity“, também disponível em português como “As Leis da Simplicidade“, escrito por um professor de design e de computação do MIT chamado John Maeda. Nesse livro, ele apresenta 10 leis que devem ser seguidas para desenvolver produtos simples e para os manter assim.

The Law of Simplicity

A primeira lei é “Reduzir: a forma mais simples de se obter simplicidade é através de reduções bem pensadas”. Para entendermos o que isso quer dizer, primeiro precisamos compreender o que são produtos complicados. Vamos olhar alguns exemplos de equipamentos a nossa volta.

Um controle remoto de televisão ou de DVD costuma ter uns 20, 30 botões, talvez mais. Alguns desses botões têm até uma segunda função, que é ativada quando ela é apertada logo após ser acionada uma tecla “Fn” ou algo similar. Há casos em que apertar o botão executa um determinado comando e segurá-lo por 5 segundos executa outro comando completamente diferente. Entretanto, entre as diversas funções todas que esse controle remote de DVD executa, muito provavelmente só usamos umas 5: power, play, pause, rewind e forward.

Outro exemplo interessante é o controle remoto de alarme de carro. Nesse caso, só há 2 ou 3 botões mas, mesmo assim, dependendo da forma como esses botões são apertados, eles executam comandos diferentes. E mais, que funções são executadas e de que forma essas funções são executadas pode ser programado.

Você pode querer que o destravamento das portas seja silencioso, mas ele veio programado de fábrica para fazer um apito. Aí você descobre que a programação do controle de apenas 2 botões é bastante complicada, requer uns 10 passos que devem ser executados em uma ordem precisa e, pior ainda, num intervalo de tempo preciso, caso contrário a programação não é concluída com sucesso e ainda pode estragar a programação atual.

Exemplos como esses podemos encontrar aos montes, inclusive na web. Acredito que qualquer usuário de web já se viu visitando um site onde ele quer fazer algo, como consultar um extrato de banco ou comprar um livro e ficou com dúvidas ao preencher um formulário ou mesmo sobre que link deve clicar.

Aliás, falando em produtos complicados, o próprio autor do livro confessa que ele acabou deixando o seu produto, as leis da simplicidade, mais complicado do que ele queria. Afinal, 2 leis seriam mais simples do que 10.

O grande problema de um produto complicado é a frustração que ele causa em seu usuário.

Olhando agora para alguns exemplos de produtos simples, como o iPod ou o site de buscas do Google, é fácil ver como a primeira lei foi aplicada. No caso do iPod, a Apple optou por deixar apenas os comandos necessários abrindo mão até mesmo de funcionalidades que poderiam ser atraentes, como um sintonizador de rádio FM, tudo em nome de simplificar a interação do usuário com seu produto. O mesmo pode ser dito do site de buscas do Google. Por mais produtos que o Google disponibilize, eles fazem de tudo para manter sua página inicial a mais reduzida possível e, conseqüentemente, a mais simples.

E qual é o grande benefício da simplicidade? Basta comparar o sentimento de frustração que um usuário de um produto complicado sente com a satisfação que um produto simples como o iPod ou o Google geram. E como todos sabemos muito bem, cliente satisfeito não só volta como traz mais clientes potenciais consigo.

Por isso, no seu próximo projeto, seria interessante você pensar em como pode simplificá-lo. Falei acima somente da primeira lei, mas há outras 9. Eu ia até mostrar aqui as 10 leis, mas como minha intenção era falar somente sobre a primeira lei, preferi simplificar esse texto e não incluir todas as leis aqui. Caso você queira conhecer as dez leis antes de comprar o livro, basta acessar o blog do John Maeda.

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