Se estivesse vivo, hoje Steve Jobs completaria 61 anos e, nós, como somos apaixonados por tecnologia, não poderíamos deixar de homenageá-lo. Mas, diante de todas as obras desse gênio, suas polêmicas e de todos os filmes, livros, documentários e artigos sobre ele, o que falar?

Optamos por um viés diferente, por falar de um de seus bens mais preciosos – e não, nesse caso não estamos nos referindo à Apple, mas sim, à sua criatividade.

A curiosidade era uma das características mais marcantes de Steve Jobs. Ele gostava de aprender e, o que não sabia, dava um jeito de entender, ou inventava. Errava, acertava, errava mais um pouco e continuava até chegar a um resultado que agradasse; não apenas aos outros, mas também e principalmente, a si mesmo.

E, por trás de todo esse perfeccionismo, da preocupação com os mínimos detalhes, estava uma personalidade extremamente forte, de certa forma, um tanto “ditadora” e sem empatia. Alguns amam Steve Jobs, outros o odeiam. Mas, independentemente dos comentários e das opiniões, não há como negar que ele conseguiu revolucionar, ou ainda, que ele fez parte de toda uma revolução tecnológica. Ele focava no que desejava e ia atrás disso – mesmo fazendo escolhas erradas.

O caráter inovador, o olhar atento ao design e à funcionalidade se sobressaíam em todas as ideias e reuniões que tinha com sua equipe. Steve não tinha medo de buscar o utópico, o “absurdo”, de pensar fora da caixa.

O resultado disso tudo?

Uma maçã. E, como se não bastasse, a maçã mais cara do mundo – e mordida.


Steve Jobs e o foco na usabilidade

“Se você quiser viver sua vida de maneira criativa, como artista, não pode olhar muito para trás. Precisa estar disposto a pegar tudo o que fez e quem foi e, jogar fora.”.

– Steve Jobs

As criações de grandes gênios não são seu legado, mas a forma como eles as criaram. Quando Henry Ford desenvolveu o modelo T, foi um sucesso e sua linha de produção ainda perdura em muitas fábricas. O mesmo aconteceu com Walt Disney e Mickey Mouse. Sua técnica de contar histórias é a mesma e permite que personagens como Anna e Elsa, de Frozen, sejam onipresentes.

No caso de Steve Jobs, as técnicas comportamentais que ele estudou ao longo dos anos são levadas em consideração e mostram como a usabilidade, o design, a experiência e o desejo são importantes para a criação de produtos e retenção de público.

Por trás do desenvolvimento dos aparelhos tecnológicos estava a interação entre os usuários e os objetos. Jobs se preocupava em criar experiências amigáveis e, por isso, sempre tentou entender o comportamento humano. Por exemplo:

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Analisando as imagens, qual delas é definida como “kiki” e qual é a “bouba”?

A figura que possui as bordas pontiagudas é interpretada como “kiki”, devivo a sonoridade, enquanto a outra, com bordas arredondadas, é tida como “bouba”. Mas o que isso tem a ver com a Apple?

A figura e a sonoridade “bouba” parecem mais amigáveis do que “kiki” – que pode machucar alguém com suas pontas e Steve Jobs levou esse conhecimento para suas criações, por isso os produtos da marca, ícones e até seu nome são inspirados em “bouba” para aproximar ainda mais o usuário do objeto.

Sua curiosidade em saber como as pessoas percebiam as coisas, o levou a criar metáforas inteligentes como o Desktop e o Mouse. O inventor buscava sempre utilizar cores claras em suas criações, pois ele achava que dessa forma elas seriam mais parecidas com eletrodomésticos, gerando mais uma vez essa sensação familiar.

Outra curiosidade sobre o empresário é que ele gostava de fazer longas caminhadas, até de fazer reuniões caminhando e isso explica muito sobre sua criatividade. Esse hábito começou quando ele ainda estava na faculdade. Por não ter dinheiro o suficiente, Jobs andava quilômetros para poder se alimentar em um templo Hare Krishna, que oferecia refeições gratuitas.

Depois de conhecer um monge zen budista, descobriu um método de meditação que envolve longas caminhadas. E, toda vez que tinha um problema, o empresário saia para caminhar. E já foi comprovado cientificamente que essa atividade incentiva o funcionamento dos dois lados do cérebro, relacionando a criatividade.

“Decidir o que não fazer é tão importante quanto decidir o que fazer.”.

– Steve Jobs

O que fazer quando sua empresa tem muitos produtos incríveis em seu portfólio e você não sabe o que indicar para a necessidade de seu consumidor naquele momento? Simples: reduzir a oferta. Depois de ser demitido pela Apple e retornar à empresa, Steve decidiu ter apenas quatro alternativas: Mac e iBook para uso pessoal e, PowerMac e PowerBook para usp profissional. Assim não existiriam dúvidas na hora de adquirir o equipamento – obviamente as vendas dispararam depois da decisão.

Percebe que é possível colocar em prática muito do processo criativo de Steve Jobs? Se preocupar com os detalhes, diminuir as opções de produtos e melhorá-los, focar na interação entre o usuário e a máquina, caminhar para resolver problemas, estudar muito e permanecer faminto, tolo, com vontade de aprender mais e mais.

De fato Steve Jobs era um cara interessante. Sua forma de pensar e os produtos que desenvolveu continuam atuais e fizeram dele, um personagem imortal.