Palestrantes do evento Locaweb Digital Conference dão dicas para alcançar o topo e apontam as próximas tendências do mercado.

O Locaweb Digital Conference chegou à sua 23ª edição com a oportunidade de voltar à dinâmica presencial – o que permitiu explorar a chamada experiência híbrida. Com a boa cobertura vacinal e a redução das regras de distanciamento, o evento pôde ser realizado com segurança no mês de março, em São Paulo (SP). Por outro lado, os novos costumes adquiridos pelos brasileiros durante a pandemia de covid-19 garantiram com que o encontro também fosse transmitido pela internet, em tempo real.

Em casa ou na plateia, os participantes puderam acompanhar as falas de nomes de peso do mercado, a exemplo de Allan Costa. O fundador da plataforma AAA Inovação dividiu com o público os macetes que ninguém conta sobre empreender. Outros palestrantes que merecem destaque são Lívia Vasconcellos (fundadora da Lojinha da Lívia) e Pedro Alvim (gerente sênior de marca e redes sociais na Magalu).

Durante o evento, as palestras foram divididas em nove temas mandatórios, sendo eles: Mídias Sociais, E-commerce, Presença Digital e Empreendedorismo, Meios de Pagamento, Experiência do Cliente, Inclusão & Diversidade, Marketing de Influência, Delivery Commerce e Logística. A seguir, você poderá conferir alguns dos insights mais importantes que rolaram no encontro. Conteúdos valiosos que contemplam estratégias de marketing, histórias inspiradoras e expectativas de mercado.

livia vasconcelos

Lições essenciais

Para Peter Jordan, paixão e demanda são ingredientes fundamentais para ter sucesso como empreendedor

Hoje, é relativamente fácil encontrar conteúdos sobre como conquistar a internet. Aliás, existem até mesmo mentores que apontam o melhor caminho. Mas quem começou a explorar esse meio no começo dos anos 2000 precisou descobrir isso sozinho. Foi o que aconteceu com Peter Jordan, CEO da empresa de inovação Petaxxon e dono de três canais de sucesso (Ei Nerd, Nerds de Negócios e Peter Aqui) no YouTube.

Com base em sua trajetória, o especialista aprendeu lições essenciais para qualquer iniciante. A primeira delas é focar no que você gosta. “Trabalhar com suas paixões dá um up gigantesco no ânimo. Eu consegui fazer isso criando conteúdo sobre cultura nerd, música, jogos. Por outro lado, tudo o que idealizei visando lucro não funcionou”, comenta.

É importante ter em mente, então, que ser apaixonado por um tema nem sempre é o suficiente. É necessário que outras pessoas compartilhem dessa mesma paixão e queiram consumi-la. Aqui, a dica de Peter é criar algo que não só vai agradá-lo pessoalmente, mas também a quem está na outra ponta.

Uma vez identificada a demanda de mercado, está na hora de se planejar para lançar o negócio. “Nessa etapa, é melhor feito do que perfeito. Meu primeiro site profissional, o Cifras.com, entrou no ar todo capenga e fui fazendo correções com a ajuda dos internautas. Porém, tenho um amigo que criou uma página ao mesmo tempo que eu e nunca lançou por estar sempre atrás de um perfeccionismo irreal”, lembra o influencer.

A confiança em si também deve ser mantida ao criar conteúdo. “Por mais ridícula que seja a sua ideia, produza e publique logo. Às vezes, o óbvio é o que mais dá retorno. Têm pessoas que julgam meu vídeo sobre a cor do cabelo do Naruto, por exemplo, mas é uma das produções que mais tem acesso no canal”, aponta Peter.

Após aplicar esses ensinamentos na empresa, a chance de alcançar o sucesso e obter retorno financeiro é grande. Mas para não perder o gás, Peter reforça uma última lição: não deixe de alimentar o negócio e continue a trazer novidades.

peter jordan

Escritório do futuro

Com menos pessoas querendo trabalhar presencialmente, WeWork acredita que a ida aos espaços físicos deve entregar mais vantagens.

Com a pandemia de covid-19, as empresas tiveram de se adaptar ao escritório remoto para evitar a disseminação do vírus. Dois anos depois, é possível ver que esse novo regime provocou consequências profundas nos colaboradores, uma vez que apenas 5% dos latino-americanos desejam voltar a trabalhar presencialmente todos os dias.

Segundo dados da pesquisa “Redefinindo os modelos de trabalho na América Latina”, realizada pela WeWork em parceria com a HSM e a Egon Zehnder, as principais vantagens do home office são economia de tempo no transporte (99%), redução dos custos operacionais (71%) e gestão do tempo (61%).

É importante que esses benefícios não sejam ignorados pelas companhias. Entretanto, não é recomendado abandonar de vez o presencial. Isso significa que o futuro do escritório está em encontrar um meio-termo.

“As empresas continuam precisando de um ‘ninho’, um lugar no qual a cultura é estabelecida. Só que as pessoas não são obrigadas a frequentá-lo diariamente. Alguns sentem essa demanda para se conectar com a companhia, enquanto outros estão confortáveis em comparecer uma vez ao mês. O funcionário deve se sentir livre para fazer check-in conforme a necessidade”, diz Claudia Woods, CEO da WeWork (fornecedora de espaços de coworking) na América Latina.

Outra grande mudança no ambiente de trabalho está na comunicação. Os líderes tiveram de aprender a comandar equipes a distância. A consequência disso está na maior autonomia para os colaboradores. “Hoje, o funcionário tem muito mais poder do que tinha há dois anos, pois ele percebeu que dá para atuar da forma que deseja sem deixar de ser produtivo”, aponta Claudia. “A verdade é que a monitoração constante sempre foi um falso senso de controle”, completa.

Para se adaptar a esse novo cenário, a dica da profissional é deixar a mentalidade antiga de lado. “Existem tantas formas de trabalhar de maneira mais eficiente, divertida e com melhor uso do tempo de todo mundo. O problema é que, muitas vezes, nosso próprio viés não nos permite enxergar”, alerta.

Claudia Woods

Vender, vender, vender

Ciro Bottini traça paralelo entre as similaridades de comercializar um produto ou serviço pela televisão e pela internet.

Mistura de vídeos ao vivo com vendas online, a técnica chamada de Live Commerce surgiu na China e virou tendência ao redor do mundo em 2021. A estratégia, no entanto, não é uma grande novidade no mercado. A brasileira Shoptime, por exemplo, já fazia isso de forma offline, pela televisão, na década de 1990. E à frente das câmeras, comandando o programa, estava o carismático Ciro Bottini.

Há 35 anos no mundo das vendas – sendo 25 deles passados na Shoptime –, Bottini aponta que muitas técnicas comerciais usadas antigamente continuam em vigência. Entre elas, está a de que a melhor comunicação deve ser leve, animada e informal, mas ainda assim técnica.

“Tem que existir um equilíbrio. Você precisa conhecer cada detalhe do produto ou serviço, mas deve trabalhar apenas cinco ou seis pontos altamente relevantes durante a argumentação de vendas. E é fundamental que esses destaques sejam comunicados com entusiasmo e revisitados o tempo todo”, aponta.

O especialista lembra também que, seja na televisão, seja na internet, raramente o consumidor vai estar atento durante toda a transmissão. Por isso, é importante insistir nos pontos positivos. Nesse contexto, também vale fazer uso de call-to-action (CTA), como “Compre agora” ou “Acesse já”. “Misturada a gatilhos de escassez ou urgência, essa tática traz resultado instantâneo”, afirma.

Além da parte teórica, Bottini ressalta que é importante trabalhar o emocional para encantar o cliente. “O papel do vendedor ou influenciador é fazer a conversão, o fechamento da venda. Para isso, deve criar uma conexão com quem está do outro lado da tela, explorando suas habilidades de relacionamento.”

Proprietário de bordões memoráveis – a exemplo de “compre, compre, compre” e “Bottini, Bottini”, com aquela voz bem fininha –, as dicas dadas pelo vendedor são baseadas em sua própria trajetória de erros e acertos ao longo das últimas décadas. “A verdade é que eu deveria estar no Guinness World Records (livro dos recordes), pois já passei muitas horas vendendo”, brinca.

ciro bottini

Tendências chinesas

Tray aponta que a transformação do varejo brasileiro não envolve, necessariamente, metaverso e drones, mas, sim, o aprendizados do país asiático.

Nos últimos anos, a China vem se tornando uma potência do varejo digital. Sozinho, o país responde por mais de 50% de todos os pedidos online feitos no mundo, segundo dados da Trade International Administration. Outro número expressivo é que a nação asiática é a primeira no planeta a ter o e-commerce maior que o comércio físico. De acordo com a eMarketer, as vendas virtuais representaram 51% do total em 2021. Neste ano, a expectativa é alcançar os 55%.

O pulo do gato para essa transformação, no entanto, não envolve tendências inovadoras como metaverso e entregas com drones. A China simplesmente apostou na integração massiva do mundo online com o offline.

“O que os chineses fizeram não foi nada tão tecnológico. Eles pegaram o que tem de legal no presencial, que é a questão do toque e do provar, e uniram ao melhor do digital, como a falta de filas e a comodidade. Assim, a pessoa vai até a loja, define o que quer, paga via QR Code e pode escolher sair com as sacolas ou receber os produtos em casa”, explica Thiago Mazeto, CEO da plataforma de e-commerce Tray.

Por lá, inclusive, esse mecanismo não é exclusividade de grandes comércios. É possível encontrá-lo desde mercadinhos de bairro e lojas de conveniência até shoppings, redes atacadistas e outlets de compras. Todos esses estabelecimentos estão conectados a aplicativos, principalmente, do Grupo Alibaba e da Tencent.

De acordo com Thiago, esse tipo de integração começou a dar os primeiros passos no Brasil, mas ainda é raro encontrar lojas que unam o físico ao online. “Já temos a tecnologia necessária, pois não é algo complexo. A barreira está na cultura das pessoas”, dispara.

Para o especialista, o passo que falta é a população sair da bolha. “A digitalização vai muito além do WhatsApp. A ideia é poder pagar a conta do restaurante da mesma forma que pagamos a corrida de Uber. É um movimento natural que aconteceu na China, foi para os Estados Unidos e vai chegar ao Brasil. Temos essa bola de cristal nas mãos”, finaliza.

thiago mazzeto

Resgate da criatividade

Murilo Gun explica como os seres humanos são desestimulados a usar a imaginação e de que forma isso afeta seu desempenho ao longo da vida.

É comum acreditar que a criatividade seja um dom exclusivo dos artistas. Mas o humorista e palestrante Murilo Gun aponta que essa característica faz parte da essência de qualquer humano. Tanto é que as crianças são vistas como seres muito inventivos. Os adultos, por outro lado, não. “Claramente algo desandou no meio do caminho”, destaca.

Para o especialista, o problema é que a criatividade não tem espaço na educação atual. Seja em casa, seja na escola, os humanos são ensinados a valorizar a memorização e a desmerecer a imaginação. “Os adultos costumam repreender as crianças quando estão brincando com um objeto que não é, de fato, um brinquedo. Por exemplo, quando um microfone é usado como se fosse uma nave espacial. Só que quanto menos brinquedo, mais criatividade é necessária para poder brincar”, diz.

Esse desestímulo é comprovado na prática. Um estudo encomendado pela agência espacial norte-americana, a NASA, analisou a imaginação de 1.600 crianças ao longo do tempo. Com 5 anos de idade, 98% dos pequenos usavam plenamente a característica. Aos 10 anos, o percentual caiu para 30% e se tornou ainda menor quando elas completaram 15 anos – apenas 12%. Na vida adulta, menos de 2% do grupo permanecia criativo.

“Hoje, ouvimos muito o papo de pensar fora da caixa. Mas nós já nascemos fora dela. Nos botaram dentro e, depois de velhos, temos que encontrar um jeito de sair”, aponta Murilo.

De acordo com o palestrante, a tecnologia terá um papel importante para ajudar os humanos a voltarem a ser mais inventivos. “Existe uma percepção de que as inovações vão roubar os nossos empregos. Na verdade, eu acho que elas vêm para devolver nossa humanidade. Desde a Revolução Industrial, viramos robozinhos que só memorizam coisas. Mas não vai dar para competir com a tecnologia na decoreba. Vamos ter que voltar a usar o básico: a criatividade e a imaginação”, comenta.

murilo gun

Melhor para o mundo

Como funciona o alto padrão de métricas do Sistema B Brasil, que certifica empresas sustentáveis.

Comumente, as pessoas enxergam que uma boa empresa é aquela que gera lucro para seus sócios. No entanto, o correto seria apontar aquelas que entregam valor para todas as partes que são influenciadas direta ou indiretamente pelo negócio.

O B Lab nasceu com a ideia de mudar essa visão atual. Para isso, o movimento global certifica empresas sustentáveis, buscando incentivar um mundo mais inclusivo, equitativo e regenerativo. Desde 2006, a iniciativa impacta 300 mil funcionários, 4 mil empresas e 77 países. Todos, por sua vez, compartilham um único objetivo: redefinir o conceito de sucesso na economia.

No Brasil, o B Lab é representado pelo Sistema B Brasil, que já certificou 240 empresas. “Para receber o documento, a companhia deve se submeter a uma avaliação de 180 perguntas, que englobam cinco áreas de impacto: Governança, Trabalhadores, Comunidade, Meio ambiente e Clientes. Cada uma delas rende uma pontuação. Só recebe o certificado aquelas que alcançarem um mínimo de 80 pontos”, explica Lara Martins, gerente de causas coletivas da organização.

A submissão é gratuita e entrega um relatório de melhorias ao final. Assim, se a empresa não alcançar a pontuação necessária, pode descobrir o que é possível mudar para garantir a certificação.

“Os pequenos e médios negócios são mais fáceis de certificar porque o processo de tomada de decisão circula entre menos pessoas e, rapidamente, eles conseguem se adaptar ou criar novas ferramentas de impacto. Já as companhias de grande porte costumam ter dificuldades para mexer na estrutura. Às vezes, podem demorar anos para conseguir adaptar um único ponto”, ressalta Lara.

A especialista, no entanto, afirma que as empresas certificadas não devem ser vistas como as melhores do mundo. “Nosso grande sonho não é aprovar todas as companhias, mas que, de forma orgânica, elas se comportem como se quisessem construir um planeta mais sustentável, garantindo, assim, nossa sobrevivência”, conclui.

lara martins

Confira os principais números alcançados pela edição híbrida do Locaweb Digital Conference

  • 64 palestras;
  • 83 palestrantes convidados;
  • 9 palcos (4 simultâneos e 5 individuais);
  • 10h30min de conteúdo gerado;
  • Mais de 4 mil participantes inscritos no presencial e online;
  • 11 estandes de visitação (Locaweb, Tray, Squid, Melhor Envio, Vindi, Etus, Octadesk, Bagy, Bling!, Ideris e AllIn);
  • 9.163,71 m² de área ocupada distribuída em dois andares.

Essa edição foi incrível, para ver mais fotos do evento clique aqui e continue acompanhando nossas redes sociais para saber como a transformação digital pode decolar o seu negócio!

Nos vemos em 2023!