Digaí, véi! Nawarian aqui, do blog codamos.com.br. Para quem não me conhece, eu sou desenvolvedor especializado em PHP há 10 anos e há 5 trabalho em Berlim, Alemanha. Desde o último ano pra cá eu tenho trabalho como gerente de equipes, e participei de centenas de processos de contratação aqui na Alemanha. Neste artigo eu vou dar dicas valiosíssimas para quem está buscando transicionar para uma carreira internacional de desenvolvimento de software. Se você for back ou front -end, analista de dados ou tech lead, este artigo vai te abrir os olhos!

Carreira internacional para pessoas programadoras: trabalhar para fora ou de fora?

Quando se fala em carreira internacional em desenvolvimento de software normalmente se pensa em “ir morar no país X”, mas esta não é a única opção!

Hoje em dia muitas empresas estrangeiras estão buscando mão de obra especializada em outros países para trabalhar de forma remota. Normalmente são contratos de tempo determinado e que pagam em moeda estrangeira. Ganhar em Euros ou em Dólar enquanto se mora no Brasil não é lá uma má ideia, né?

Outras empresas adotam as chamadas GEOGlobal Employment Organization, ou Organização de Contratação Global. São empresas que possuem sedes em diferentes países, contratam pessoas daquele país e emitem nota internacional. No caso do Brasil, uma empresa com CNPJ te contrata via CLT e presta serviço para fora.

Por fim, e para muitas pessoas até mais desejado, é possível fazer uma realocação total para o país de destino. Com contrato assinado, visto de trabalho e todos os direitos vigentes daquele país.

Entender qual modelo te atende melhor é essencial para entender como buscar uma oportunidade no exterior.

Por exemplo, uma empresa que adota GEOs provavelmente não consegue te oferecer uma realocação total. Afinal, para justificar um pedido de visto ao país a empresa precisa demonstrar que não é possível te contratar de outra forma.

Se você busca realocação para o país destino, é importante procurar por empresas que vão te ajudar a obter o visto. Normalmente as vagas destas empresas mencionam visa sponsorship.

Falando em sponsorship, como tá teu inglês, hein?

Inglês como idioma principal

Gente, falar inglês é essencial para trabalhar para uma empresa fora do Brasil. A única exceção é caso você queira trabalhar em Portugal.

Mas outros países Europeus têm como idioma oficial línguas totalmente diferentes do Português, como a Alemanha, Holanda, Finlândia e França. Normalmente as empresas internacionais destes países adotam inglês como o idioma principal. Países nativos em inglês como Canadá, Inglaterra e Irlanda também costumam contratar e tratar somente em inglês.

O inglês passa a ser ferramenta fundamental em todos aspectos da sua vida quando se trabalha no exterior. Você vai precisar de inglês para ir ao mercado, ir ao médico, falar com a polícia, comprar um plano de internet, alugar um lugar pra morar, fazer amizades, levar suas crianças à escola…

Quando eu cheguei em Berlim, tinha muita dificuldade de me comunicar com as pessoas. Meu time era muito internacional, com gente da Rússia, Bulgária, Alemanha, Itália… Sotaques que eu nunca vi ou experimentei. Resultado? Por algumas boas semanas eu não entendia ninguém direito e, garanto pra vocês, era recíproco.

É importante adotar o inglês não como uma ferramenta para passar na entrevista, mas uma ferramenta que vai garantir o seu bem estar e da sua família. É possível arranjar um trabalho sem um nível altíssimo de inglês, mas você vai passar perrengue no dia a dia!

Pratique! Vá para chats online, redes sociais, veja vídeos e séries no idioma, tome aulas particulares e/ou arranje uma parceria do tipo Tandem (troca de idiomas).

Como procurar uma vaga no exterior?

Tem muita plataforma por aí que se propõe a listar vagas de emprego em diversos países. O Berlin Startup Jobs, por exemplo, lista vagas para toda a Alemanha. Mas melhor do que encontrar uma vaga no exterior, é fazer a vaga te encontrar!

Pessoas recrutadoras no LinkedIn

Nos últimos anos as empresas têm investido num profissional bem específico: a pessoa recrutadora tech. São profissionais com o principal objetivo de encontrar pessoas desenvolvedoras que atendam aos requisitos das vagas e organizem o primeiro contato.

Para permitir que te encontrem você precisa estar visível e, atualmente, a ferramenta que vai te dar essa visibilidade é o LinkedIn. Eu escrevi um guia com 12 passos para tunar seu perfil no LinkedIn e chamar a atenção do jeito certo!

Mas uma dica que não está no artigo e é mega valiosa, é se conectar com pessoas recrutadoras no país destino. Use palavras chave como headhunter, tech recruiter, searching for engineers e filtre pelo país para o qual deseja se mudar:

carreira internacional dev guia completo

Ao aceitarem sua conexão, pergunte sobre vagas disponíveis e localidades. Normalmente estas pessoas vão, de prontidão, procurar saber mais sobre você, sua carreira, experiência, desejos e rapidamente vão te conectar com empresas para fazer algumas entrevistas.

Pessoas na comunidade brasileira que já trabalham no exterior

Eu desde cedo participo da comunidade PHPSP e fico conectado em diversos canais como o telegram e slack. Vira e mexe eu encontro pessoas lá que se encaixam perfeitamente no perfil de alguma vaga para a qual a minha empresa está contratando.

Quando alguém me pergunta sobre vagas eu normalmente tenho algumas para indicar na minha empresa e dezenas de outras vagas para empresas onde minhas amizades trabalham.

Algumas empresas pagam um bônus de indicação caso a pessoa passe em todas as etapas do processo de contratação! Portanto, muitas pessoas brasileiras que moram no exterior vão te indicar para vagas em suas empresas com o maior prazer. Pra descobrir onde encontrar comunidades brasileiras de desenvolvimento, eu escrevi esta lista com as comunidades brasileiras que atuam em cidades e/ou online pra ti.

Qual nível de experiência eu preciso ter para iniciar minha carreira internacional como DEV?

Eu diria com segurança que com 4 anos você consegue se virar bem em qualquer emprego na área. Há quem diga que com 2 anos de experiência já pode se candidatar, eu acho que é difícil mas não é impossível.

Nas empresas para as quais eu já trabalhei aqui na Alemanha, alguém com menos de 3 anos de experiência só entra se já tiver visto. Do contrário, não vale a pena para a empresa na maioria dos casos.

Mas também já ouvi relatos de gente que chegou aqui com 1 ano de experiência (e um doutorado na bagagem).

No fim das contas custa pouquíssimo tentar e o quanto antes você começar a procurar, mais rápido vai entender suas dificuldades e coletar feedback pra te ajudar a melhorar.

Então, se você tem menos de 4 anos de experiência, se candidate e teste seu conhecimento sem muita esperança de receber uma contratação (se vier, melhor ainda!). Aos poucos você vai ganhar mais experiência com entrevistas e entender quais tecnologias importam para as empresas.

Tem gente que tem medo de “ficar queimado” por tentar uma vaga e não passar. Outra bobagem. Ninguém se importa se você não passou da última vez e, para algumas empresas, isto é sinal de que você realmente quer trabalhar lá.

A falácia do portfólio no Github

Eu vejo muita gente por aí dizendo que é importante manter um portfólio e que o perfil no Github é essencial para trabalhar para empresas no exterior. Bo-ba-gem!

Gente, eu tenho entrevistado num único dia mais de três pessoas. Tem colegas meus que fazem de 4 a 6 entrevistas por dia. Depois de cada entrevista, a gente precisa escrever um relatório de como foi o desempenho da pessoa. Em que momento você acha que a gente vai parar pra ver seu Github?

Se você tem algum projeto de código aberto que quer mostrar com orgulho, bota em algum repositório público e mencione seu projeto no currículo. Além de mencionar o projeto, explique o motivo de achar que aquele projeto merece estar ali.

Eu, por exemplo, costumo falar sobre como eu migrei o jogo DOOM (1997) para PHP porque é um assunto interessantíssimo e me dá a chance de impressionar ao falar sobre como é possível escrever jogos em PHP.

Eu, e ninguém que eu conheço, abre o Github da pessoa e sai fuçando projetos, analisando como a pessoa escreve código e outras coisas. Tem gente que clona mil repositórios de código aberto e nunca contribui com nada, então, isso não dá um sinal de que a pessoa contribui com algum projeto de código aberto.

Se eu leio um currículo sem Github a minha vida não muda em nada. Mas se eu leio um currículo com Github, arranjo raros 10 minutos para ver o perfil e encontro algo que não gostei, apenas diminui o interesse que eu tenho naquela pessoa.

Github, na melhor das hipóteses não muda e, na pior das hipóteses, diminui a sua chance de receber uma vaga no exterior.

Empresas do tipo trampolim

Encontrar o emprego dos sonhos não é fácil, e fazer isso sob distância é mais difícil ainda. A minha dica pra ti é não se apegar em trabalhar na empresa perfeita já na primeira tentativa.

É muito mais fácil arranjar uma vaga de emprego no exterior quando você já mora no exterior. Porque o processo de visto é bem mais relaxado se você só precisa mudar de empresa.

Então, mesmo que as recomendações no Glassdoor sejam medíocres ou negativas, ou que a tecnologia não seja bem a que você prefere, não deixe de considerar estas empresas. Obtenha o visto de trabalho e depois procure algo que se encaixe melhor em suas expectativas.

E não precisa se sentir mal ou achar que é anti ético: não é! Tem muita startup que já trabalha sob a premissa de que as pessoas que vêm do exterior vão trabalhar por um tempo limitado e se planejam de acordo: oferecem um salário pouco competitivo, ou deixam de oferecer as mesmas vantagens que outras empresas.

Mas também não precisa chutar o balde e aceitar qualquer coisa, viu? Na gringa também tem bastante vaga ruim! Dá uma olhada nesse artigo do PokémãoBR sobre como identificar e evitar vagas arrombadas pra passar bem longe delas!

Quer saber mais?

Na maioria das redes eu sou o @nawarian, pode me seguir! Eu estou no Twitter, Github e LinkedIn.

Eu mantenho um blog onde eu e mais uma galera falamos sobre tudo relacionado ao tema programação, é o codamos.com.br. Num futuro não muito distante, vamos também oferecer programas de mentoria por lá.

Pode entrar em contato comigo, de verdade. Eu demoro mas respondo 😉

Te vejo na próxima!